A história de uma mulher real, na procura do seu parto humanizado

Todos os partos deveriam ser humanizados, mas hoje vivemos no Brasil uma realidade muito diferente. Conheça a história real de uma mulher que não se conformou e conseguiu o parto que ela tanto desejava.



É importante ressaltar, antes de contar a história da Bárbara, que o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de cesarianas. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece em até 15% a proporção recomendada, segunda a Unicef, no Brasil esse percentual chega a 57% (40% na rede pública e 84% na particular). Grande parte dessas cesarianas é feita de forma eletiva, sem fatores de risco que justifiquem a cirurgia, e antes de a mulher entrar em trabalho de parto. Em muitas localidades, faltam condições de assistência que favoreçam o sucesso do parto vaginal, tanto no setor público como no privado, analisa a obstetra Roseli Nomura, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).


— Equipes em número insuficiente de profissionais de saúde, não apenas médicos, mas obstetrizes, enfermeiras, anestesistas e neonatologistas, prejudicam o cuidado à parturiente — observou.


O parto começou a ser visto como uma doença que precisa ser medicalizada e operada. As mães perdem autonomia ao ponto de esquecer, no processo todo do parto, a conexão dela com o próprio corpo. Os processos naturais não são respeitados e muitas vezes os médicos, que nunca fizeram um parto natural, colocam medos infundados na cabeça das pacientes.


Para mais informações sobre partos no Brasil, recomendamos assistir os filmes "O renascimento do parto 1, 2 e 3" disponíveis na Netflix.



A história da Barbara, uma mulher na procura do seu parto humanizado


Tivemos o prazer de conhecer a história da Barbara, uma mulher argentina que mora no Brasil há vários anos e que já teve dois partos no país, junto com seu parceiro, que é brasileiro. Ela contou pra gente como foi a sua experiência nas consultas iniciais e como acabou trilhando, junto com profissionais que ela achou nessa odisseia, os partos que ela desejava ter: partos humanizados e autênticos.


Quando descobri que estava grávida da Maia (com quase 3 meses e completamente inesperada), percebi que nunca tinha visto bebês nem grávidas ao meu redor...que mundo era esse que crescia dentro de mim?

Por sorte com meu parceiro tomamos a notícia com calma e amor...abertos a mergulhar fundo nessa nova jornada.


Lembro a primeira consulta com a ginecologia/obstetra como se fosse ontem. Eu fui cheia de dúvidas, expectativas para ver o que iria falar, ansiedades para entender tudo..., mas a consulta, que não demorou mais do que 10 minutos, foi feita por uma “profissional” completamente antipática, sem alma, sem ser capaz de olhar apenas para a mulher que tinha na sua frente e perguntar...como você está? Nesses 10 minutos, a doutora falou sem parar sobre as vitaminas que teria que tomar, os ultra-sons e exames que teria que fazer, sobre que tomar para azia, dor de cabeça, dor de barriga... foi uma desilusão total.

Depois dessa triste experiência, comecei procurar grávidas que possam me ajudar com indicações e, através de uma amiga (que tinha uma amiga grávida), fui a uma segunda consulta.

Desta vez o médico, que claramente estudou na mesma universidade que a anterior, foi até um pouco mais simpático, mas ainda não me convencia porque parecia um robô fazendo várias perguntas como tiradas de um manual e quando perguntei sobre o parto, me pediu para não pensar nisso ainda porque faltava muito... (não pensar nisso.... como?). A verdade é que como não tinha muitas indicações, preferi continuar ainda com este profissional.


Ao longo dos dias e meses seguintes, comecei pesquisar sobre o parto, no final uma coisa eu tinha certeza, queria um parto natural, queria viver essa experiência de uma maneira autêntica e vivenciar no meu corpo cada estágio desse parir e dar à luz. Li bastante, investiguei, estudei tudo sobre os tipos de parto e me assustei ao deparar-me com as taxas de cesárea no Brasil que chegam a 40% na rede pública e a 85,5% na rede suplementar. Mas...o que estaria acontecendo? As mulheres já não somos capazes de parir? Ou será que há uma indústria querendo nos convencer disso para ganhar mais dinheiro? Nesse momento comecei frequentar um grupo de maternidade ativa que realizava conversas e cursos voltados para promover uma maternidade mais consciente, e conclui com tristeza, que os médicos de plano de saúde não têm interesse em fazer parto normal, leva tempo e não dá dinheiro, e que para ter a experiência de parto que eu queria, ia ter que pagar um parto particular.


E assim foi, como com quase 35 semanas fui procurar uma profissional de parto humanizado, que sem dúvida era o tipo de parto que mais tinha a ver comigo (com quem não?), um parto com respeito...respeito a mãe, ao bebé e aos simples processos da vida.


A doutora Juliana era exatamente o tipo de profissional que eu esperava encontrar para transitar este momento tão único na minha vida. Conversas claras, tato e empatia, sabia me tranquilizar e me passar a segurança que precisava. Falamos abertamente do plano de parto, das músicas que queria ouvir nesse momento, o papel do parceiro na hora do parto, da amamentação e do puerpério. Me apresentou toda uma equipe de obstetrizes, doulas e pediatras que me acolheram com amor e cuidado durante a reta final deste processo.


A hora da Maia chegou num domingo de outono depois de 12 horas de trabalho de parto intenso e emocionante, uma parte em casa e outra parte no quarto humanizado do hospital (luz tênue, banheira e intimidade). Como foi o parto? Cesárea (rsrs)! Mas super bem indicada e respeitada, no final ela existe para salvar vidas!

Não vou negar que fiquei um pouco frustrada por não ter conseguido ser um parto natural como sonhava, tentamos de tudo...mas estes pequenos seres também trazem com sua chegada muito aprendizado para nossas vidas.

Com tudo, 3 anos depois, veio meu segundo filho, Martín...aí sim de um parto intenso e natural!"


Escrito por,

Barbara Farga

Equipe Impacto



Fontes:

https://www12.senado.leg.br/

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