A moda pelo olhar de uma mulher 60+

Será que o mercado está preparado para um público que, além de ser cada vez maior, está ligado mais do que nunca às tendências e inovações? Conversamos com a Graça, uma mulher brasileira de 68 anos que nos contou como é o mundo da moda pra ela, hoje.

Foto de Anastasia Shuraeva no Pexels


"Mudei de casa há pouco tempo, e me deparei com a quantidade de roupa que acumulei ao longo dos anos. Roupas caras, bonitas, que foram sendo esquecidas e guardadas nas partes mais altas do closet, escondidas mesmo. E, olha, já faz pelo menos uns 10 anos que fiz o propósito de cada vez que uma roupa fosse comprada, outra sairia para doação.


Percebi que a moda nunca foi o que determinou uma roupa ser mantida ou não no meu guarda roupa. Sempre comprei roupas pela qualidade, durabilidade, caimento, portanto sempre optei por roupas atemporais. Contudo enquanto trabalhei fui obrigada a manter um estilo sério, convencional. Sobriedade e elegância.


Roupas guardadas, pouquíssimo usadas ou mesmo não usadas, estavam lá pelo sonho de algum dia serem usadas.


Nessa ocasião da mudança consegui me desfazer de tudo que acumulava, e entendi perfeitamente que essas roupas jamais me fariam falta, por um motivo: aquelas roupas possuíam um estilo ditado pela profissão que eu exercia. Eram práticas, elegantes, mas exigiam acessórios. Saltos altos, bolsas e etc.


Com a idade não ganhei tanto peso, mas engordei sim, pelo menos dois números. Adquiri a necessidade de alguns remédios de uso contínuo. Diante disso tudo resolvi optar por uma vida mais disciplinada, incluindo caminhadas e exercícios funcionais. Essa decisão me trouxe de volta ao peso dos 30 anos, bem como à diminuição efetiva dos remédios.


Com o guarda roupa esvaziado do passado, pus-me a procurar roupas novas, feliz com meu peso e saúde.

Entendi que hoje, aos 68 anos, me importo com o conforto da roupa, como nunca me importei aos 30. É essencial que a roupa me deixe confortável, desde o tato, o corte e o modelo.

Hoje, a roupa não precisa atender à expectativa de ninguém, apenas à minha própria necessidade de me sentir bem, elegante, adequada e principalmente – confortável.


Meu estilo hoje é despojado, informal. E, os saltos...ah...os saltos, agora fazem parte de poucas datas, especialíssimas. Hoje, quero uma roupa de qualidade, atemporal e que eu possa levantar, me vestir, ficando elegante o dia inteiro.


Difícil foi, com a mudança de numeração, encontrar roupas que atendam essas minhas necessidades e expectativas. Conforto e praticidade, acompanhados de um mínimo de elegância.


Apesar de ter voltado ao peso de 30 anos, uma mulher de 68 anos não consegue se vestir com as roupas que normalmente estão nas vitrines. A vitrine mostra roupas bonitas, mas que nem sempre caem bem. É preciso experimentar, e na maioria das vezes, elas ficam bem somente nos manequins, não no meu corpo sexagenário.

O meu corpo e necessidades não existem para a moda das jovens e o meu número não existe para a moda das idosas.


Assim, comprar roupas, hoje, acaba sendo um ato de garimpagem. Às vezes, mesmo nas lojas que conheço, não consigo me entender com a moda. O meu estilo mudou, contudo, para que eu compre uma roupa, continuo optando por qualidade, caimento e atemporalidade. Continuo sendo uma mulher atemporal."


Por,

Graça Cardoso e Equipe Impacto.

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