A moda pode ser política?

Um reflexo do tempo e da sociedade, a moda é capaz de movimentar diferente movimentos.

Foto de Malcolm Garret no Pexels


Independente da mensagem que se queira passar, as suas roupas levam mensagens a seus interlocutores que serão decifradas de acordo com suas próprias referências - não muito diferente de qualquer outro meio de comunicação. No cenário político brasileiro, vestir vermelho independente de sua posição, passa uma mensagem X, assim como vestir uma camiseta do Brasil, passou a expressar um posicionamento Y.


Quando primitivos, o objetivo de cobrir o corpo era proteção, basicamente, do frio. Pode-se dizer que, a partir daí, já se podia identificar um melhor caçador que o outro, revelando quem eram aqueles mais ágeis, fortes e habilidosos. Sabe-se que nesse momento já passava-se a definir padrões e grupos a partir das vestes.


Ao longo da Idade-Média, a necessidade de uma autoafirmação se estruturou e se materializou no Renascimento, intensificando o conflito entre as classes. Leis eram estabelecidas pela realeza definindo materiais e tecidos que eram proibidos para outros, e então os aristocratas copiavam e, na sequência, a burguesia. Nesse cenário, já é possível ver claramente a moda como um elemento de expressão social, refletindo seu lugar no mundo.


Séculos foram se passando e as tendências de moda, roupas e acessórios foram ficando cada vez mais acessíveis. A moda deixou de ser uma expressão apenas de classe social e passou a ser uma ferramenta em como nos apresentamos para o mundo naquele determinado momento da nossa vida. As roupas acompanham nosso crescimento, a formação da nossa personalidade, passam pelas nossas inseguranças e seguranças. Nos acompanham por toda a vida.


Vestir não é apenas tendência e consumo, é mostrar no que se acredita. Vestir é político, e em momentos de governos autoritários, sejam eles declarados ou não, é difícil não falar da estilista Zuzu Angel, um dos grandes nomes em relação à resistência em um período de ditadura militar. Zuzu Angel acabou ganhando notoriedade após a tortura e morte do seu filho Stuart Angel, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro, organização política que participou da luta armada contra a ditadura militar brasileira. Em 1971, a estilista exibiu um desfile-protesto nos Estados Unidos, onde suas criações expressavam a tortura e terror vivencidos durante a ditadura. Cinco anos depois, em 1976, sua morte foi noticiada como um acidente de carro em um túnel no Rio de Janeiro, porém, mais de 40 anos depois, a justiça finalmente reconheceu a morte de Zuzu como assassinato por parte de agentes da ditadura militar.


Outro exemplo de moda política foi em 2016, quando uma camiseta branca com a frase "We should all be feminists" foi responsável por parar a Paris Fashion Week na estréia de Maria Grazia Chiuri, a primeira mulher a ser diretora-criativa da grife Dior. A estampa, em tradução livre, diz "Todos deveriam ser feministas", um posicionamente claro para o mundo em relação a uma mudança urgente em relação aos papéis de gênero da nossa sociedade.


Consumir é também apoiar um modelo de produção, é afirmar que se aprova as condutas de determinada marca. Vestir é mais do que cobrir o corpo com tecidos que caem bem, é uma soma de símbolos que "gritam" para aqueles ao nosso redor quem somos, o que pensamos, como nos sentimos e em que fase estamos.


É importante entender que sua compra é uma afirmação do que você acredita. Vestir é político.


Consumir é um ato político.


Escrito por,

Equipe Impacto


Fontes:

https://harpersbazaar.uol.com.br/moda/como-a-politica-influencia-a-moda/https://www.cartacapital.com.br/blogs/fashion-revolution/vestir-e-politico-a-moda-e-seus-simbolos/

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