Como ampliar a forma que a gente se enxerga no mundo.

Todo mundo está mais (fr)ágil?

Aparentemente estamos (quase) todos em busca de autoconhecimento e querendo nos conscientizar para, assim, transformar esse mundo em um lugar melhor. As redes sociais parecem ser capazes de nos convencer como certas mudanças necessárias de hábito podem ser fáceis (quando na verdade, não são).


Acorde cedo, tome um café com aquele boost de energia, vá a academia, se alimente bem, trabalhe, trabalhe muito, trabalhe bem, não caia. Tenho sucesso. Seja feliz. Sorria.


E então a positividade tóxica nos contamina com todas suas supostos boas intenções e nos nos damos conta que, qualquer tipo de mudança é bem mais difícil que parece. Existe um longo caminho para a gente perceber que não basta olharmos apenas para nossas vidas de maneira individual e começar a dar check na lista de metas, também é necessário desenvolver um olhar mais crítico para como estamos inserides dentro dessa gigante estrutura, chamada sociedade.


Um ponto muito importante, por onde gostaria de começar esse artigo, é a saga do auto-aperfeiçoamento e, aparentemente, sem fim. Disfarçamos de otimização o que na verdade é a nossa mais pura insatisfação crônica.


Apontar as questões porvir não é uma apologia para pararmos de aprender ou evoluir, pois sim, essas transições são situações naturais e saudáveis, mas para começarmos a olhar para as dinâmicas e discursos de poder feitos, principalmente, nas redes sociais, e entender o quanto isso pode nos impedir de ter uma mentalidade coletiva.


André Carvalhal, cita 04 pontos sobre a saga do auto-aperfeiçoamento:


  • Profissional: aquele no qual fazemos cursos, coach, MBA, palestras e lemos livros pra nos diferenciar e garantir uma vantagem competitiva. Vale também quando entregamos mais do que o pedido pra (tentar) garantir nosso mérito. Pra que chefe? A auto-cobrança reina livremente por aqui.


  • Estético: quando nos submetemos a ideais em grande parte irreais, recorrendo à vasta gama de tratamentos, dietas, exercícios, plásticas e produtos, pra no final acharmos que sempre tem alguma coisa pra ficar mais bonita e no fim, parece que todo mundo tem a mesma cara (harmonização facial.)

  • Espiritual: aquele que persegue um ideal/estética de transcendência, quando se apropria culturalmente de símbolos de povos minorizados, sugando o que é útil, ou quando se utiliza a espiritualidade como diferenciação/superioridade, muitas vezes evitando tensões referentes a questões estruturais (muito bad vibe).

  • Moral: quando tentamos a qualquer custo atingir um grau de pureza, de ser "correto", que não erra, forçando a barra da "desconstrução ", tentando expiar a culpa burguesa com atos pra parecer A sensatez em pessoa (porque SER dá muito trabalho), e o medo do cancelamento vira mais um gatilho de ansiedade.


Mesmo que aparentemente distantes uma das outras, todos esses pontos tem o mesmo pano de fundo: a alta competitividade, uma hierarquização de ideais que nos faz sentir sempre insuficientes, o mantea do individualismo onde você é o único responsável por seu sucesso ou fracasso. E claro, se você não alcançou o que queria, é porque está fazendo algo de errado.


Portanto, vale cada vez mais reflexões e questionamentos sobre como podemos agir afim de nos olharmos de uma maneira mais humana e paciente. O perfil Perestroika abre caminho e indica 04 possíveis caminhos de como podemos ampliar a forma que nos vemos no mundo:


  • Quando olhar pra vida e refletir sobre crenças e comportamentos, perguntar: quais as origens das minhas questões, além da forma com a qual fui criado/a? Será que viver em uma sociedade machista me beneficiou ou prejudicou de alguma forma? Como os meus problemas pessoais são influenciados por questões estruturais como racismo, patriarcado, desigualdades sociais?

  • Pensar sobre os espaços de poder ocupamos, seja no trabalho, nas amizades, na sociedade. Aqui é sobre se conscientizar sobre raça, gênero e classe social. A finalidade não é sentir culpa, mas caso você perceba que faz parte de grupos privilegiados historicamente, refletir sobre como contribuir na prática para não continuar mantendo tudo como está.

  • Estudar e escutar pessoas que oferecem uma narrativa alternativa de olhar pro mundo, mas que justamente por isso sempre foram silenciadas. Instagram existe também pra conhecer conteúdos que talvez antes a gente não tinha o acesso antes.

  • Encontrar espaços seguros de troca. Nenhuma transformação vai rolar só na sua cabeça. Conscientização acontece no coletivo, no diálogo, na escuta e nas divergências.


Dessa maneira, podemos nos olhar como todo um sistema, interligado, e não apenas de maneira individualizada, ampliando assim a nossa perspectiva e gerando reflexões que nos ajudam a partir para a ação.


Escrito por,

Equipe Impacto

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