Consumo consciente: modinha ou coisa séria?

"Consumir de maneira consciente é o mínimo que podemos fazer quando pertencemos à restrita classe consumidora global" - Modefica




Nas últimas décadas, parte do planeta desenvolveu uma maneira de consumir exagerada e livre de qualquer culpa. Esse comportamento tem se tornado mal visto e uma nova maneira de encarar o consumo tem estado cada vez mais em pauta: o consumo consciente. Mas, o que isso significa?


Desenvolver essa consciência vai além de comprar apenas de marcas verdes ou pequenos produtores. É necessário pensar em como o consumo envolve questões que vão desde a escolha e poder de compra individual de cada um, como também olhar para o horizonte e analisar toda uma cadeia de produção que, muitas vezes, não é vista. Esse é um olhar de suma importância, afinal toda essa rede produtiva, muitas vezes, é sustentada pela base da pirâmide - aquela que menos recebe e mais sofre com as consequências de um consumo irresponsável.


Não é incomum, nesse jogo, marcas usarem discursos "do bem", mas sem de fato olharem para dentro e mudarem as regras do jogo.


"Falar sobre consumo sustentável precisa ultrapassar o mantra do 'faça sua parte'. A nossa lista de compras importa, mas precisamos aprender a olhar de forma crítica como as grandes empresas e o poder público têm responsabilidade sobre o estamos em que estamos hoje" - André Carvalhal


A fala acima do escritor nos mostra que é preciso nos atentarmos para aqueles discursos que têm como objetivo culpar apenas o indivíduo pelos prejuízos decorrentes do consumo, sendo que o problema, de fato, é sobre todo um sistema bem estruturado e está, em grande parte, nas mãos do 1% apenas.


Isso não quer dizer que não devemos fazer nossas "pequenas" ações ou que elas não têm relevância (cada pequeno ato conta), mas sim que também precisamos ir muito além da nossa garrafa retornável e tentar entender porquê e quais são as dinâmicas existentes que contribuem para que estejamos caminhando a passos tão lentos nesse debate.



A pesquisadora Marina Colerato diz que "podemos ser consumidores conscientes, mas podemos também ser líderes para a transformação, podemos entender a importância da política e incentivar quem está apoiando legislações que preservem o meio ambiente e favoreçam os recursos naturais comuns. Não devemos deixar de colaborar com ONGs, empresas e movimentos que estão à frente de ações que visam melhorar a qualidade de vida das pessoas e a preservação da Terra. Devemos nos envolver com os problemas e soluções, não terceirizando responsabilidades e assumindo que porque nós compramos (ou deixamos de comprar) isso ou aquilo, já estamos fazendo nossa parte."


Muito além de uma tendência, o consumo consciente - em todo seu escopo - é uma necessidade se quisermos colaborar para a construção de uma sociedade da qual nos representa.





Escrito por,

Equipe Impacto


Referências:

https://www.instagram.com/p/COgXQElH3Pu/

https://www.modefica.com.br/papel-consumo-consciente/#.YNnnXuhKhPY

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