Dia da Mulher, um pouco de história

O dia internacional da mulher não é sobre presenteá-las com rosas, é um dia de reflexão e questionamento de uma sociedade machista.

Na foto, em tradução livre, a frase "O futuro é feminino"


Você sabia que a cada 2.6 segundo uma mulher é vítima de ofensa verbal? Que a cada 6.3 segundos uma mulher é vítima de ameaça de violência? Que a cada 6.9 segundos uma mulher é perseguida? A cada 7.2 segundos uma mulher é vítima de violência física? Que a cada 16.6 segundos uma mulher é ameaçada com uma faca ou revólver? Que a cada 22.5 segundos uma mulher é vítima de espancamento ou tentativa de estrangulamento? E que a cada 2 minutos uma mulher é vítima fatal de arma de fogo? E tudo isso apenas aqui, no Brasil. Imagina esses dados estendidos pelo mundo todo. Não existe nenhuma palavra além de inadmissível. Em pleno século XXI a violência contra as mulheres continua acontecendo bem embaixo dos nossos narizes.


Por que dia 8 de março?


As lutas e manifestações pelo direito da mulher começaram a se formar no início do século XX, quando mulheres do mundo todo passaram a reivindicar por melhores condições de trabalho, jornadas de até 8 horas, regularização de suas situações trabalhista e aumento dos salários.


Foi em fevereiro de 1909 que aproximadamente 15 mil mulheres se reuniram, em Nova York, nos Estados Unidos, para uma marcha com o objetivo de chamar a atenção dos donos de fábricas para suas situações trabalhistas, que na época eram jornadas de mais 16 horas, seis dias por semanas - às vezes chegando a sete dias -, sem nenhum direito ou segurança, além de salários baxíssimos.


Desde então, foram estabelecidas manifestações anuais, porém o marco do dia 08 de março aconteceu em 1917. Foi nesse dia que um grande grupo de mulheres, na Rússia, se reuniu e marchou manifestando sua total indignação em relação a baixa qualidade de vida e o ingresso do país na Primeira Guerra Mundial. Esses protestos foram reprimidos com tamanha violência e brutalidade, que acabou antecipando a Revolução Russa. Porém até essa data ter sido reconhecida pela ONU para lembrar e relembrar sobre as lutas e as conquistas políticas e sociais das mulheres, se passaram 58 anos, sendo o 08 de Março oficializado apenas em 1975.


Hoje são mais de 100 países que celebram o dia com protestos, manifestações, comícios e mobilizações, pois a luta está longe do fim.


A vida da mulher no Brasil


O Brasil é um país que conta com o machismo estrutural na maior parte de suas instituições. A luta das mulheres aqui pela equidade é uma batalha intensa, longa e muitas vezes, falta esperança. Um exemplo claro disso foi o aumento de feminícidios durante a pandemia no Brasil - um aumento de 2% no primeiro semestre de 2020, sendo um total de 648 casos. E nos meses mais críticos, entre março e abril o aumento foi ainda maior: só em São Paulo o número de mulheres assassinadas por um companheiro ou ex-companheiro cresceu 41,4% nesse mesmo período.


É importante entender essa relação entre a violência e os direitos que são negados às mulheres pela cultura patriarcal em que vivemos, - é essa cultura que diz que o valor da mulher é menor que o do homem. Pode-se ver isso em inúmeras situações: a diferença salarial, onde uma mulher e um homem que tem exatamente a mesma escolaridade e exercem a mesma função, recebem uma remuneração diferente, sendo o salário da mulher 30% a menos que o do homem. As jornadas duplas de trabalho que são enfrentadas pelas mulheres mães, em combinação com a dificuldade de conseguir emprego quando se tem filhos, criam um cenário muito desfavorável. Você já parou para pensar que a licença paternidade de apenas 05 dias corridos, isenta o homem da sua responsabilidade como pai? Afinal, ele voltará a trabalhar menos de uma semana depois e todo o cuidado ficará com apenas uma pessoa.


Além da questão econômica, existe o aspecto social, que é como nossa sociedade entende a mulher: como um ser submisso. E isso gera diversos tipos de violência: desde um comentário indesejado na rua até a violência física e morte.


O dia 08 de março existe para nos lembrar que aquela fala infeliz "mulher gosta de apanhar" não existe, o que existe são mulheres humilhadas demais para denunciar, feridas demais para reagir, apavoradas demais para denunciar e pobres demais para ir embora.


Leis que toda mulher brasileira deve saber (por @umsocorroameianoite)

  • Lei Maria da Penha: a Lei 11.340/06, foi sancionada em agosto de 2006 e trata sobre realizar ações de combate a violência dosmética contra as mulheres. O nome veio de Maria da Penha Maia Fernandes, símbolo contra a agressão às mulheres. O que a lei oferece: Proteção policial, escolta e transporte para lugares seguros, exame de corpo de delito, prisão preventiva do acusado se necessário e estipula a distância entre o acusado e a vítima.

  • Lei do Minuto Seguinte: uma lei importantíssima, porém, infelizmente, pouco conhecida, é a Lei 12.845 que foi sancionada em 2013 e oferece certas garantias às vítimas de violência sexual. O que a lei oferece: atendimento imediato pelo SUS mesmo antes da vítima fazer o boletim de ocorrência, diagnóstico e tratamento das lesões: amparo médico, psicológico e social imediatos; facilitação do registro da ocorrência; exame preventivo de gravidez; exame preventivo de doenças sexualmente transmissívels (DSTs); fornecimentos de informações às vítimas sobre seus direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis.

  • Lei do Feminicídio: quando uma mulher perde a vida por causa de um abuso, violência doméstica, discriminação, menosprezo, ou nos casos em que a mulher é levada a cometer suicídio por abuso psicológico ou o simples fato de ser mulher, o ato deixa de ser homicídio comum e torna-se qualificado e, consequentemente, crime hediondo, oferencedo prisão ao acusado de 12 a 30 anos.

  • Lei Carolina Dieckmann: Apesar de não ser uma lei destinada exclusivamente para mulheres, a motivação veio contra um crime que acontece com muitas delas. A lei 12.737/12 promoveu alterações no código penal pra definir crimes cibernéticos no Brasil. A lei ganhou esse nome justamente por um caso que aconteceu com a atriz, que teve fotos íntimas pessoal divulgadas na internet sem sua autorização.

  • Lei Joanna Maranhão: a Lei 6719/09 foi sancionada em 2015 e também não é só para mulheres. A Lei altera os prazos de prescrição contra abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes. O nome se dá pela atleta Joanna Maranhão pelas denúncias de abuso cometidos por seu treinador durante sua infância. Como a nadadora só trouxe o caso depois de 12 anos, o crime já havia prescrito. Com essa lei, crimes assim só terão o tempo contado para descrição depois que a vítima completar 18 anos. Além disso, o prazo para a denúncia aumentou para 20 anos.

  • Stealthing: O ato de retirar o preservativo durante a relação sexual sem a(o) parceira(o) concordar é crime e se enquadra no artigo 215 do código penal - violação sexual mediante fraude. O acusado terá pena de 2 a 6 anos.


Informação é poder

Veja algumas indicações que nos ajudam a entender melhor a importância da luta das mulheres por seus direitos:

  • Podcast Praia dos Ossos (Sportfy)

  • Documentário She's beatifull when she's angry, por Mary Dore

  • Documentário What happened Miss Simone, por Liz Garbus

  • Documentário Feminists: What were they thinking, por Johanna Demetrakas

  • Stand Up Nanette, por Hannah Gadsby

  • Livro Quem tem medo do feminismo negro, por Djamila Ribeiro

  • Livro O Calibã e a bruxa, por Silvia Frederici

  • Livro O Ponto Zero da Revolução, por Silvia Frederci

  • Livro O Mito da Beleza, por Naomi Wolff

  • Livro O Conto de Aia, por Margaret Atwood


Vamos juntas, nos apoiando e sem soltar a mão de ninguém.


Escrito por,

Equipe Impacto.


Fontes:

https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2020/03/6-imagens-para-entender-historia-do-dia-internacional-da-mulher.html