Dia Nacional da Visibilidade Trans

Hoje nós convidamos o nosso amigo Thom, para conversar com a gente e contar um pouco sobre sua a trajetória como homem trans.


Hoje, dia 29 de janeiro, é o dia Nacional da Visibilidade Trans. Infelizmente, não é novidade nenhuma que o Brasil tem umas das maiores e piores taxas em relação à violência contra a comunidade LGBTQIA+.


Em países como o nosso, ser trans é uma luta diária pelo simples direito de ser. É necessário lutar pelo trabalho, contra a violência e, inclusive, pelo reconhecimento da própria existência. O dia de hoje foi definido como Dia Nacional da Visibilidade Trans, marcando uma das primeiras iniciativas públicas contra a transfobia, em 2004.


No decorrer dos anos, lentamente, conquistas foram obtidas pela população trans. E foi em 2016 que uma das maiores vitórias foi alcançada: o decreto presidencial que autorizou o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero na área da administração pública federal.


Por acaso, você já parou para se perguntar como deve ser a sensação de não se identificar com o corpo que nasceu? Ou até mesmo o que você, cisgênero, pode fazer para apoiar esta causa? Hoje nós convidamos o nosso grande amigo Thom, para conversar com a gente e contar um pouco sobre sua a trajetória.


Impacto: Em que momento da vida você percebeu que o seu o gênero definido no seu nascimento não correspondia a quem você é?

Thom: Desde pequeno eu já sentia que não me encaixava nos padrões de gênero da sociedade, não me via no corpo que tinha e nem nas roupas que era "obrigado" a usar, sempre fui um fora da lei. A minha sorte é que minha mãe me deixou muito livre pra ser quem eu era, então isso me deixou bem mais confortável.

Infelizmente não é a realidade da maior parte das famílias de pessoas trans. Mas eu descobri minha identidade de gênero desde o primeiro momento que eu vi que era possível, não se falava muito na minha época sobre homens trans, então a gnt não tinha acesso e nem conhecimento que era possível.

Desde o primeiro contato que tive, já fui atrás, eu tinha uns 24 anos quando comecei a seguir Instagrams de homens trans, páginas, fui buscar informações sobre a terapia hormonal e aos 25 eu comecei a minha transição toda gratuita pelo SUS.

Impacto: Ao longo da vida, como você lidou/lida com o preconceito? Acontece muito?

Thom: Hoje em dia eu não sofro mais tanto preconceito. Quando eu não tinha transicionado eu sofria bem mais, pq meus traços eram mais femininos, apesar de muita gente me tratar no masculino desde sempre, só que a voz era mais fina, não tinha barba, o formato do corpo era diferente. Então já sofri agressões, já ouvi palavras como "quer ser homem vai apanhar que nem homem", comentários, empregos que eu não passava nas entrevistas. Foi uma trajetória muito difícil, mas nunca abaixei a cabeça pra sociedade.

Hoje em dia estou em paz, porque tenho passabilidade, aí só vai saber quem eu queira que saiba. Porém tem muitos trans que não querem se hormonizar, tem homens trans que não tem barba por exemplo, pq independente da testosterona tem a genética tbm, e tem gente que não tem propensão a pelos. E aí a sociedade pega pesado, com desemprego, agressões e até morte.


Impacto: Qual a coisa mais importante que você aprendeu nessa jornada?

Thom: Nessa jornada eu aprendi, que se vc tem um sonho, se vc não se identifica com seu sexo biológico, vc tem que ir atrás pra mudar isso, pq foi a melhor atitude que eu tomei na minha vida, nunca me senti tão feliz e tão completo comigo mesmo como sou hoje em dia, fui atrás da minha paz.


Impacto: O que as pessoas cisgênero podem fazer para apoiar a causa LGBTQIA+?

Thom: O que as pessoas cis podem fazer pra nos ajudar, é simplesmente dar voz pra nós falarmos, é empregar pessoas trans não capacitadas e dar a oportunidade de capacitação, é defender aquele comentário transfóbico que um colega ou amigo fez, é reconhecer a transfobia que tem dentro de si e mudar isso.

Educar as crianças fazendo a respeitar e não reproduzir transfobia. É incluir a pauta trans dentro da pauta feminista e ou racista. É dar espaço de fala.

Hoje concluímos esse artigo torcendo para as palavras do Thom se espalharem por aí, para abraçar as pessoas que ainda se sentem perdidas e para abrir os olhos daquelas que são preconceituosas. É importante que cada um, desde o seu lugar, se manifeste e apoie. O combate ao preconceito deve vir de todos os lados, diariamente.


Escrito por,

Equipe Impacto


Referência:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/tags/dia-nacional-da-visibilidade-trans


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