Falemos do Feminismo

Um movimento que ganhou mais forças, espaço na mídia e também nas ruas nos últimos anos, porém não é nada novo. Conheça a história e entenda o porquê ele é tão importante.


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Para início de conversa, é importante dizer que o feminismo não é antagônico ao machismo. O machismo é uma construção social, ou seja, a ação dos homens e mulheres em sociedade gera, a partir dessas próprias ações, comportamentos e ideias que não existiam antes, e são essas ideias que entendemos como cultura. É importante destacar também que, assim como antes não existiam aquelas ideias, elas podem deixar de existir também. Por isso, por exemplo, se diz que vivemos em um cultura machista e o feminismo veio para combate-lo.

É relevante explicarmos também, que o machismo, além de promover a ideia de que homem é superior a mulher, também justifica opressões e agressões contra as mulheres em diversas áreas sociais.


Mas o que é o feminismo? Ele é um movimento que luta pela igualdade entre gêneros. Por que homens e mulheres sejam considerados, de fato, seres iguais e tenham o mesmo acesso à educação, saúde e trabalho. O feminismo luta também contra os estereótipos da cultura machista, que tentam definir o que é ser mulher ou, em outras palavras, como uma mulher deve se comportar. Para o movimento, "mulher é o que ela queira ser". E mais importante ainda, o feminismo denuncia e cria redes de proteção para mulheres que sofrem violência de gênero, o que tem sido e continua sendo muito frequente na nossa sociedade.


Mas vamos fazer um pouco de história, porque como falamos, o movimento não é nada novo... O feminismo teve seu início no período das revoluções liberais, onde a Revolução Francesa foi o maior destaque. Nesse momento a luta principal era pela emancipação dos direitos da mulher, batalhando principalmente pelo direito da participação das mulheres na política. A grande figura de destaque desse momento, foi a francesa Olimpia de Gouges, que junto com outras mulheres montou a Declaração dos Direitos da Mulher e Cidadã, que vinha como uma resposta a Declaração dos Direitos do Homem e Cidadão. Porém esse movimento foi responsável pela morte de Olimpia, que foi executada na guilhotina por ter traído a natureza do seu sexo, de acordo com os argumentos da época.


No Brasil, em 1832, a potiguar Nísia Floresta, abordou o tema no livro Direito das Mulheres e Injustiças dos Homens, e foi preciso passar 100 anos dessa publicação para que as mulheres tivessem direito ao voto. Oito anos depois, em 1940, temas como aborto, os papéis sociais impostos às mulheres na sociedade, como ser mãe e dona de casa, e as violências sexuais entram em pauta. A pílula anticoncepcional foi um grande marco desse momento, simbolizando o período marcado pela maior pluralização dos discursos. Não foi a toa que nesse momento, o feminismo negro, liderado pela extraordinária Angela Davis, ganha força.


Falando dos últimos anos, foi em 2015 que surgiu, na Argentina, a campanha #NiUnaMenos (nenhuma a menos, em tradução literal) que surgiu da necessidade de visibilizar e denunciar os femicídios que aconteciam constantemente no pais. “Isso é como o ovo e a galinha: não podemos afirmar se agora há mais assassinatos de mulheres na Argentina ou se nós é que finalmente estamos falando disso. O que sabemos é que não há estatísticas que registrem as vítimas e que não se está fazendo tudo o que pode ser feito para evitar isso”, diz a editora e cantora argentina Gaby Comte. Ela faz parte de um grupo de mulheres, principalmente do mundo da arte, que iniciaram a campanha . Afirma que é um movimento que se formou pouco a pouco, que nasce da indignação com as frequentes mortes de mulheres.


Aquela indignação ganhou o espaço público também em países vizinhos, mas mesmo assim, a América Latina continua sendo um dos lugares mais violentos para mulheres no mundo: uma em cada três mulheres na região foi submetida à violência, e entre 17% e 53% das mulheres sofreram violência doméstica.


No cenário atual, as restrições sociais impostas pela pandemia do novo coronavírus agravaram o problema, pois muitas das vítimas estão confinadas em casa com seus agressores. Ativistas dizem que a mensagem do movimento é mais urgente agora do que nunca.


Mas, se ao ler isso, você ainda está se perguntando: "Mas por que ser feminista?". Os dados alarmantes nos mostram que tanto homens e mulheres precisam do feminismo. Olha só:

  • Apenas no Brasil, 135 mulheres são estupradas por dia, sendo 65% dos casos, dentro de casa;

  • No mundo 01 de cada 10 meninas adolescentes já sofreu abuso sexual;

  • No Brasil 41% das mulheres sentem medo de defender seus direitos por temer as consequências;

  • As brasileiras ganham entre 30% e 53% a menos que homens: em todos os cargos, áreas de atuação e níveis de escolaridade;

  • Apenas 25,85% dos presidentes de empresa são mulheres e, pasmem, quando elas alcançam esse cargo, ainda assim recebem 32% que os homens;

  • A equiparação, ou seja, oportunidades e salários iguais em todo o mundo, é prevista apenas para o ano de 2133, além da participação equânime - equilibrada - na economia, política, acesso a saúde e educação.

  • A licença por paternidade é de 5 dias corridos. O que gera uma distância inevitável dos pais com os próprios filhos, criando uma assimetria enorme entre o vinculo que pais e mães conseguem criar com seus pequenos desde o nascimento.

  • Homens ainda são cobrados como "os provedores" da família, isso faz com que as escolhas de vida deles sejam muitas vezes focadas no futuro sucesso financeiro e não no desenvolvimento individual.

  • Ao restringir o acesso das mulheres a cargos de poder e opinião, todos perdemos. Empresas com mulheres em cargos de liderança têm melhor desempenho, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os resultados das empresas são melhores em até 20%, nesses casos.


O abecedário do feminismo


Existem algumas definições que nos ajudam a entender melhor a causa feminista. Esses verbetes explicados pela revista Super Interessante também nos abrem os olhos para sabermos definir situações do movimento.


  • Bropriating: do inglês "Bro", irmão e "Appropriating", apropriação, esse é o termo que define quando um homem se apropria de uma ideia ou criação de uma mulher. Esse é um cenário muito comum em empresas;

  • Gaslighting: quem nunca ouviu o famigerado "Você tá louca!"? Bom, é mais ou menos daí que vem o gaslighting, que é quando um homem convença a mulher de que ela está errada, de que não tem o domínio de sua razão. Essa é uma situação extremamente comum em relacionamentos abusivos. Curiosidade: o termo surgiu do filme Gaslight, quando um homem convence a sua esposa de que ela está insana, para assim tomar sua fortuna;

  • Mansplaining: atitude de homens que se dedicam a explicar algo as mulheres sem serem solicitados;

  • Manspreading: é aquele hábito do homem que ocupa um espaço desproporcionalmente maior ao que ele de fato precisa: pernas exageradamente abertas, principalmente nos bancos dos tranportes públicos;

  • Manterrupting: homens que interropem uma mulher durante sua fala. É muito comum essa situação acontecer durante reuniões em que o homem interrompe a mulher sem deixá-la concluir seu raciocínio;

  • Patriarcado: modelo sociopolítico onde o gênero masculino e a heterossexualidade exercem um poder sobre os demais;

  • Objetificação: reduzir uma pessoa à condição de coisa. Na sociedade patriarcal isso acontece ao enxergar as mulheres como um objeto sexual, que serve apenas para satisfazer o homem, limitando-a apenas aos seus atributos físicos;

  • Feminicídio: crime de ódio contra mulheres e meninas decorrentes do menosprezo pelo feminino. Ou seja, basicamente matar uma mulher por ela apenas ser mulher.

  • Sororidade: União entre as mulheres. Consiste em respeitar, ouvir e dar voz a todas, mesmo quando há discordância de ideias. Trata-se de estreitar os elos femininos e e fortalecer a empatia para assim dar cada vez mais força ao movimento feminista. Serve também para combater a ideia de que mulheres são rivais.

  • Empoderamento: "Empoderar-se" é o ato de adquirir poder. Quando trazido para o âmbito feminista é adquirir poder como mulher, é o resgate de sua dignidade e reconhecimento de sua importância.


Se precisar de ajuda, ligue para o central de atendimento à mulher: ligue 180.

Não fique sozinha, estamos juntas!



Escrito por,

Equipe Impacto


Referências:

https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-feminismo.htm

https://super.abril.com.br/

https://www.uol.com.br/

https://brasil.elpais.com/

https://www.consumidormoderno.com.br/





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