Novos tecidos ajudam no combate ao coronavírus

Atualizado: Mar 19

Vírus podem permanecer vivos entre 72 e 96 horas nos tecidos. Frente a isto, a indústria têxtil une tecnologia e ciência para desenvolver o que poderia ser o pano do futuro.


Foto de CDC no Pexels


Já faz alguns anos que surgiram no mercado tecidos que evitam a proliferação de fungos e bactérias, mas ainda nada tinha sido testado em vírus. Estes tecidos, principalmente utilizados para confeccionar peças esportivas como leggings e camisetas, foram criados com a intenção de evitar a proliferação de bactérias provenientes do suor, que são as responsáveis pelo mau cheiro das roupas. Isto é possível porque os tecidos tem na sua composição nanomoléculas de prata, e são aquelas nanomoléculas as que, de fato, tem o efeito bactericida.


Pois bem, anos passaram e esta tecnologia, que já estava desenvolvida e testada, foi a porta de entrada de novos tecidos, dessa vez antivirais.

No Brasil foram desenvolvidos pelo menos dois tecidos com eficiência cientificamente comprovada: tecidos feitos com o fio de poliamida Amni® Virus-Bac OFF da Rhodia e o tecido de poliéster Delfim Protect.



Amni® Virus-Bac OFF da Rhodia


Como funciona?


O agente antiviral presente na matriz polimérica do fio de poliamida Rhodia tem afinidade eletrônica com regiões de proteínas da estrutura externa do vírus, impedindo a hospedagem em células humanas, bloqueando a contaminação.

Além disso, o agente antiviral atua no rompimento do envelope lipídico (gordura) dos vírus envelopados, quando este rompimento acontece, o material genético do vírus é exposto e o vírus inativado, impedindo assim a sua replicação, em outras palavras o vírus perde a sua capacidade de atuação (contaminação).


É eficaz?


A eficácia do fio de poliamida Amni® Virus-Bac OFF foi comprovada por laboratório independente, seguindo os protocolos têxteis internacionais contidos na norma ISO 18184 (Determination of Antiviral Activity of Textile Products). Além de antiviral, a poliamida Amni® Virus-Bac OFF também tem ação antibacteriana comprovada, de acordo com as normas têxteis internacionais AATCC100.

A Rhodia destaca que esta tecnologia é uma barreira adicional no combate à contaminação cruzada de vírus e bactérias. O uso de peças com a poliamida Amni® Virus-Bac OFF não elimina a necessidade de cuidados de higienização frequente, segundo as instruções de segurança da OMS (Organização Mundial da Saúde) perante o cenário de pandemia do novo coronavírus.

Um ponto à destacar é que este tecido tem a grande vantagem do efeito permanente, o que significa que a sua ação antiviral e antibacteriana permanecerá durante toda a vida útil do artigo têxtil, ou seja, uma roupa terá a mesma eficácia e de maneira uniforme mesmo após inúmeras lavagens.

O fio têxtil Amni® Virus-Bac OFF, com agente antiviral e antibacteriano - que inibe a ação de vírus e bactérias - incorporado em sua matriz polimérica, pode ser usado na construção de malhas, tecidos, em diversas aplicações, tais como roupas casuais, esportivas, uniformes escolares, roupas profissionais, meias, calçados e acessórios, máscaras de uso social e até vestimentas e enxovais hospitalares.


Tecido Delfim Protect


Ele é um tecido capaz de matar o coronavírus SARS-COV-2 e outros vírus em um minuto. O DelfimProtect tem como diferencial, a tecnologia empregada na construção dos fios e na aplicação da nanotecnologia Nanox, a partir das micropartículas de prata.

Além de ser um tecido antiviral, ele é antifúngico e bactericida, anti-odor, repele líquidos, seca rápido e é respirável. A durabilidade do efeito antiviral não está especificada pelo seu fabricante, por isso não podemos falar se ele dura algumas lavagens ou é permanente como o da Rhodia.

Ele foi testado pela Unicamp, que certificou a sua eficácia: o vírus morre em até um minuto após contato com o tecido. O laudo do teste pode ser baixado no site do fabricante.


Estamos falando então do tecido do futuro?


O que a gente se pergunta agora é: então esses tecidos funcionam mesmo? Poderíamos combater o vírus usando eles nas nossas roupas, máscaras, carro, etc?


A realidade é que a principal forma de transmissão é a chamada "direta" de pessoa para pessoa, pela respiração. Nela, o contato próximo permite que gotículas respiratórias de uma pessoa doente, isto é, as liberadas pela tosse, espirro ou fala, alcancem uma outra pessoa por meio do ar. Também existe a chamada contaminação "cruzada" que se produz quando, aquelas gotículas que caíram no chão ou em alguma superfície, são tocadas por outro indivíduo que, ato seguido, leva a mesma mão na sua boca, olhos ou nariz, fazendo com que o vírus, que ainda estava vivo, entre no organismo.


Mas quanto tempo vive o vírus em superfícies inanimadas? Estudo realizado por cientistas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, indica que o novo Coronavírus pode sobreviver até três dias em algumas superfícies:

  • Aço inoxidável 72 hrs (3 dias)

  • Plástico 72 hrs (3 dias)

  • Papelão 24 hrs (1 dia)

  • Cobre 4 hrs

Ainda não há estudos sobre a viabilidade deste novo vírus em tecidos. No entanto, sabe-se por estudos realizados com outros patógenos que, de forma geral, os vírus podem ter sobrevida de 72 a 96 horas nos panos.


Embora a principal via de contágio seja de pessoa a pessoa, como existe também a possibilidade do contágio cruzado, é nestes casos que tecidos antivirais poderiam trazer uma solução eficaz e inteligente no combate à doença.


Todo cuidado é pouco, e dessa vez, a indústria da moda veio fazer a sua parte, quem sabe esses tecidos sejam cada vez mais usados, se tornando, de fato, os tecidos do futuro.


A importância de manter as medidas de prevenção


É importante lembrar que a utilização de um tecido antiviral, não isenta a gente de tomar todos os cuidados que são indicados pela OMS para se proteger do vírus:


Higienização das mãos


Lavar as mãos com água e sabão. Opte pelo álcool em gel apenas em locais onde não é possível fazer a higiene desta maneira. O ideal é gastar de 40 a 60 segundos em todo o procedimento (pode cantar o "Parabéns pra você" que dará o tempo certo). Após enxaguar, se a torneira não for do tipo automática, use uma toalha de papel para fechá-la.


Etiqueta respiratória


Desde cedo, todos nós aprendemos que ao tossir devemos proteger boca e nariz com as mãos. Porém, o modo mais adequado, principalmente em meio a pandemia do Covid-19 é cobrir a boca com um lenço de papel ao espirrar ou tossir, descartando o lenço usado no lixo.

Se não tiver um lenço à disposição, você deve tossir ou espirrar no antebraço e não em suas mãos, que são importantes veículos de contaminação. Agora, se você não estiver tossindo ou espirrando e estiver no mesmo ambiente que alguém com estes sintomas, procure ficar a uma distância de ao menos um metro.


Distanciamento ou isolamento social


Desde que a OMS (Organização Mundial da Saúde), agência especializada da ONU (Organização das Nações Unidas), caracterizou as infecções provocadas pelo novo coronavírus (Covid-19) como pandemia no dia 11 de março de 2020, a principal recomendação do órgão para conter o avanço da doença tem sido o chamado distanciamento ou isolamento social.

Contudo, essa medida pode levantar algumas dúvidas. A principal delas: o que significa isolamento social e por que ele é tão importante?

Segundo o Ministério da Saúde, o isolamento social prevê que pessoas em grupo de risco, contaminadas e com suspeita de contaminação, permaneçam em casa. O objetivo é inibir a propagação da doença e a transmissão local por pessoas infectadas.

A medida é tida como eficaz porque a principal forma de contágio do coronavírus acontece pelo contato com pessoas que estão infectadas. Cumprimentar, beijar, compartilhar copos e talheres são algumas das atitudes que devem ser evitadas, já que a transmissão pode ocorrer por gotículas de saliva, espirro, tosse ou catarro, que podem ser repassados por toque ou aperto de mão, objetos ou superfícies contaminadas pelo infectado.

O distanciamento social também tem a intenção de retardar a propagação do vírus porque, mesmo que algumas pessoas sejam contaminadas, o contágio não atingirá toda a população de uma só vez, evitando a superlotação dos serviços de saúde e diminuindo o número de óbitos.


O uso de máscara


A OMS (Organização Mundial da Saúde) faz algumas recomendações para o uso racional de máscaras. As máscaras cirúrgicas ou a N95, segundo a OMS, devem ser utilizadas apenas por profissionais da saúde ou por quem estiver cuidando de alguém com suspeita de coronavírus.

Em seu guia técnico provisório intitulado Orientação sobre o uso de máscaras no contexto da Covid-19, a OMS lembra que o uso de máscaras caseiras por pessoas saudáveis não tem comprovação científica de que possa impedir a infecção de vírus respiratórios, como o novo coronavírus.

No entanto, o órgão ressalta que seu uso tem caráter preventivo no período pré-sintomático. Entre os riscos potenciais estão a auto-contaminação, que pode ocorrer quando a pessoa toca e reutiliza uma máscara contaminada; possíveis dificuldades respiratórias; falsa sensação de segurança, levando a uma possível menor adesão a outras medidas preventivas, como distanciamento físico e higiene das mãos; entre outros.


Não tocar olhos, nariz e boca


Evite coçar, esfregar ou ter qualquer tipo de contato com as mucosas. Essas áreas têm contato direto com a corrente sanguínea e são mais sensíveis à presença de agentes de contaminação As mãos estão em contato constante com superfícies que podem ser vetores de transmissão de vírus e bactérias. Mantê-las longe das mucosas diminui a chance de ficar doente.


Se tiver sintomas de Covid, fique em casa e ligue para seu médico de confiança ou procure um posto de saúde e evite contato próximo com qualquer pessoa.


Se cuida e, se possível, fique em casa!


Escrito por,

Equipe Impacto



Referências:

https://coronavirus.saude.mg.gov.br/

https://www.rhodia.com.br/

https://delfimprotect.com.br/

https://portal.fiocruz.br/

https://www.sanarmed.com/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/

https://www.saopaulo.sp.leg.br/


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