O que é MVP e como aplicar na criação de uma marca sustentável.

Atualizado: Ago 13

Um grande desafio que muitas marcas novas de roupa enfrentam é: como desenhar uma coleção enxuta que consiga, com o mínimo de produtos, representar a sua essência?



Quando falamos de sustentabilidade, precisamos pensar em 4 pilares fundamentais: o ecológico, o econômico, o social e o cultural. Uma empresa que deseja ser sustentável precisa pensar em todos eles, mesmo que priorize um ou outro no começo.


Uma tendência mundial cada vez mais usada é a criação de micro-coleções, que se inspira no conceito de MVP (produto mínimo viável, em tradução livre). Isso significa traduzir um negócio ou marca na mínima expressão, possibilitando seu teste no mercado sem grandes riscos.

Riscos que não são só econômicos, mas também ecológicos, sociais e culturais. Vamos analisar o porquê?


O risco econômico é o mais claro e que todo mundo vê facilmente: uma marca nova desenvolve uma coleção, a mesma não vende como esperado, gerando um estoque físico grande que precisará ser vendido na liquidação para, pelo menos, recuperar o valor investido ao produzi-lo. Ou seja, lucro baixo ou negativo.


O risco ambiental já não é todo mundo que conhece. Para dar um exemplo: a cada segundo, o equivalente a um caminhão de lixo cheio de sobras de tecido é queimado ou descartado em aterros sanitários no mundo*. Sem contar os litros de água e a energia elétrica utilizados na produção de roupas, o que não deixam de ser recursos colocados nessas peças que serão descartadas, vendidas na liquidação, estocadas por anos, etc.


O risco social tem a ver principalmente com a desigualdade de oportunidades e a opressão dos trabalhadores têxteis. Quando uma marca não produz conscientemente (porque não podemos só pedir que o consumidor seja consciente, as marcas também precisam ser) ela está gerando um círculo vicioso de produtos que têm alto risco de serem liquidados no futuro, pelo qual precisam de uma boa margem inicial de venda para, de alguma forma, compensar a perda futura. Hoje muitas marcas pressionam as fábricas para reduzirem os custos ao mínimo, porque já sabem que terão que baixar os preços lá na frente. Às vezes, muitas fábricas acabam aceitando essa pressão para não perder o cliente, prática que, se mantida a longo prazo, leva a fábrica à falência. E nessa dinâmica, quem mais sofre é sempre o operário, que tem que fazer mais em menos tempo para baixar custos e no final, acaba perdendo o emprego.

Por outro lado, a cultura gerada por vender e adquirir produtos na liquidação constantemente só alimenta esse círculo vicioso que mencionamos anteriormente, porque quem compra um produto com muito desconto não dá o mesmo valor a um produto com preço cheio, precarizando e despersonalizando ainda mais a indústria da moda e a valiosa mão de obra por trás das roupas.


O risco cultural pode ter várias interpretações e pontos de vista, mas no mundo da moda, um deles é sobre marcas que só fazem o que todo mundo faz, esquecendo de fazer produtos que realmente atendam o seu público. Marcas que trabalham com nichos, com menos sortimento, são marcas que entendem melhor as pessoas que irão comprar seus produtos e, além disso, querem conhecê-las aos poucos, entendendo suas necessidades, sua cultura, contexto e personalidade.


É por tudo isso que na Impacto achamos, mais do que nunca, que menos é mais, ou até mesmo que menos é mais sustentável. Para lançarmos nossa marca no mercado, desenvolvemos uma micro-coleção de 2 produtos, top e legging de excelente qualidade, para começar essa caminhada bem de perto com nossos clientes e oferecer sempre produtos pensados, estudados e feitos com muito cuidado e amor.



Marcas com propósito fazem menos para impactar mais.



*Fonte: "A New Textiles Economy: Redesigning fashion’s future Report", Ellen MacArthur Foundation, 2017.


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