O que é parto humanizado?

Seja na banheira, em casa, na materninade ou no centro cirúrgico, o parto deve ser como a mulher quer, respeitando suas escolhas, limites e saúde.


Quando trazemos a tona o termo "humanização", dentre diversas interpretações possíveis, na nossa cultura, essa palavra carrega significados como bondade, compaixão, altruísmo e amabilidade.

A particularidade de humanidade a qual nos referimos aqui envolve processos intrínsecos ao ciclo da vida: o nascimento, o crescimento e amadurecimento, a vivência da gravidez, o parto, a maternidade, a dor... São todas vivências e sentimentos que não podem ser desconsiderados na hora do parto, e simplesmente tornar-se, único e exclusivamente, um procedimento médico.


O parto humanizado não deve ser entendido como um tipo de parto, onde algumas particularidades externas o definiriam, como a luz baixa, a submersão na água, acompanhantes, música ou qualquer outra situação. A humanização do parto é um conjunto de ações, é um processo.


Mas então, o que é um parto humanizado? É um parto onde as decisões da mulher são levadas muito mais em conta quando comparado a um parto convencional. Ou seja, deixar a natureza agir fazendo seu trabalho e com o mínimo de intervenções médicas possíveis e apenas aquelas autorizadas pela gestante, mas claro, sempre levando em conta a saúde e segurança da mulher e do bebê. Ao humanizar um parto, a grávida sente-se, e de fato, fica mais livre para escutar seus desejos e os sinais de seu corpo, seja andar pelo ambiente, optar por luzes menos intensas, escolher quem ficará ao seu lado e etc. "Não importa se ele ocorre na cama, em casa, na água, ou no hospital. Em um parto humanizado, a ação é toda da mulher que segue o processo fisiólogico do parto. O médico fica ali, presente, apenas como um expectador e só interfere caso aconteça algum problema", explica a doula Ana Cristina Duarte, diretora do GAMA (Grupo de Apoio a Maternidade Ativa)


As vantagens de um parto humanizado estendem-se entre mãe e filho. Pela falta de intervenções médicas clássicas, como anestesias, medicamentos e episiotomia, o conforto emocional e uma vivência positiva em relação ao parto ajudam a mulher a reestabelecer-se mais rapidamente. Com menos estresse e uso de drogas, o bebê tem menos chances de ter complicações, além de nascer em uma situação mais tranquila e onde a primeira amamentação pode acontecer ainda na sala de parto, ajudando na criação de um vínculo importante entre mãe e bebê.


Uma dúvida comum é se todo parto normal é humanizado. Não, necessariamente.

Em um parto normal é possível encontrar uma enorme lista de procedimentos que podem ser feitos, como a aplicação de anestesia, diversos exames vaginais, monitoramento por meio eletrônico dos batimentos cardíacos fetais e das contrações uterinas, posição fixa (o que é bom apenas para conforto médico) e não anatômica da mulher durante o processo, depilação da região genital, lavagem intestinal, episiotomida, luz intensa, ruídos em execesso... Com tantas intervenções como essa, não se pode definir tal parto como humanizado. A grande questão nessa situação é, que em grande parte dos hospitais, tais ações se tornaram rotineiras e - muitas vezes - são aplicadas sem necessidade ou sem consulta prévia ou consentimento da mulher ou de seu/sua acompanhante.


Quando falamos em cesáreas, pode-se torná-la mais suave e humana, porén não pode ser considerado humanizado, uma vez que é uma cirurgia de médio porte, requer internação, anestesias e intervenção médica importante. Mas, com pequenas mudanças, é possível tornar esse momento mais leve, como controlar a intensidade da luz, permitir a permanência do/a acompanhante, controlar o ruído e diminuir o máximo possível a intervenção com o bebê. Porém, nada disso é válido se o procedimento for feito sem necessidade real, o que, infelizmente, é muito comum no Brasil. A epidemia de cesáreas no Brasil vai em contramão das recomendações internacionais, registrando uma taxa de mais de 55% de partos cirúrgicos. Vale lembrar que uma cirurgia, quando não necessária, carrega inúmeros riscos, dos quais grande parte poderia ser evitada.


Para realizar um parto com o mínimo de intervenções possíveis, é necessário, desde o início da gestação, fazer um bom pré-natal afim de saber se a saúde da mulher e do bebê estão bem, pois só assim será viável optar por um parto humanizado. Na sequencia, o segundo passo, é procurar médicos da área que indentifique-se com a situação e saibam como conduzir um parto dessa maneira. É importante que haja uma estrutura sólida para que o parto seja conduzido de maneira humanizada e segura.


A humanização do parto baseia-se em respeitar as escolhas da mulher, não desrespeitar sua escolhas e ultrapassar seu limites sem necessidade médica ou consentimento. Infelizmente, existem inúmero relatos de violência contra mulheres e bebês durante o parto, um dos momentos em que ambos estão completamente vulneráveis. Episiotomias sem necessidade, pontos mal dados, uso de fórceps, falta de empatia e cuidado são situações comuns e traumáticas. O parto humanizado vem para nos informar e ir na contramão da massificação dos partos.


Sugestão:

  • O Renascimento do Parto, Netflix.

Escrito por,

Equipe Impacto


Fontes:

https://www.despertardoparto.com.br/o-que-e-parto-humanizado.html

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/08/22/como-combater-a-epidemia-de-cesareas-no-brasil.ghtml

https://bebe.abril.com.br/gravidez/entenda-como-e-o-parto-humanizado/

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