Poliamida vs. Poliéster. Qual fibra sintética é mais sustentável?

Tecnologia e criatividade se juntaram, para criar novos tecidos sintéticos mais amigáveis com o meio ambiente. Fibras biodegradáveis e recicláveis, como saber qual é a melhor opção?


Foto de Meliani Idriss no Pexels


O poliéster é a fibra mais usada do mundo, sua popularidade ganhou força, principalmente nas últimas décadas, com o surgimento do fast fashion, tanto na moda esportiva quanto na moda casual.

Sozinho ou misturado com algodão ou outras fibras, o principal intuito de fazer uso extensivo deste material, é o de baixar os custos das peças.


A poliamida é a fibra mais nobre dentro das fibras sintéticas, pelo seu toque macio e gelado. Ela foi criada em 1929, com o objetivo de criar uma fibra capaz de substituir a seda. Os tecidos feitos com poliamida são leves e elásticos, e são usados principalmente em moda esportiva, moda praia e roupas íntimas.


Nos últimos anos, novas tecnologias foram se desenvolvendo para diminuir o impacto destas duas fibras que são derivadas de matérias primas não renováveis.


Trouxemos aqui um resumo para entender os prós e contras de cada fibra, tanto das originais, quanto das novas versões sustentáveis:


Poliamida convencional (não sustentável)


Origem: Petróleo ou gás natural.


Prós: Demora aproximadamente 50 anos para se degradar, considerando que o poliéster demora 400 anos, é uma vantagem... Usa menos energia e água que a produção de algodão.

Ela é reciclável, porém, no Brasil ainda não se recicla poliamida. Ela é macia, fresca e não acumula mau cheiro.


Contras: É derivada de um recurso não renovável. No pós consumo, principalmente nas lavagens, libera microplásticos na rede de esgoto, que acabam chegando nos oceanos e rios, prejudicando a vida que neles habita.


Poliamida Amni Soul Eco ®


Origem: Petróleo ou gás natural.


Prós: Possui a propriedade de biodegradação acelerada, biodegrada em 3 anos, quando descartada em aterros sanitários bem controlados. Não possui componentes tóxicos em sua formulação. O tecido possui certificação Oekotex ®. Fórmula e produção 100% brasileiras. Usa menos energia e água que a produção de algodão. Ela é reciclável, porém, no Brasil ainda não se recicla poliamida. Ela é macia, fresca e não acumula mau cheiro.


Contras: É derivada de um recurso não renovável.

No pós consumo, principalmente nas lavagens, libera microplásticos na rede de esgoto, que acabam chegando nos oceanos e rios, prejudicando a vida que neles habita. (Lembrando que a biodegradação se dá nos aterros e não na água. Estudos já estão sendo feitos para aprimorar isso e conseguir a sua biodegradação no meio aquático)


Poliamida Econyl ®


Origem: Redes de pesca recuperadas dos oceanos.


Prós: Ajuda na limpeza dos oceanos, recuperando redes que foram perdidas ou jogadas no mar por barcos pesqueiros. A produção é considerada de ciclo fechado e usa menos água e energia que uma

poliamida tradicional. Usa menos energia e água que a produção de algodão. Ela é reciclável, macia, fresca e não acumula mau cheiro.


Contras: Não está presente no Brasil, é feita na Itália.

No pós consumo, principalmente nas lavagens, libera microplásticos na rede de esgoto, que acabam chegando nos oceanos e rios, prejudicando a vida que neles habita.

A longo prazo, não estimula a mudança de hábitos ou o cumprimento da penalidade severa que deveria ser aplicada para quem abandona redes no mar.


Poliéster convencional (não sustentável)


Origem: Petróleo ou gás natural.


Prós: É uma fibra reciclável, pode ser reciclada várias vezes. Usa menos energia e água que a produção de algodão.


Contras: Não está presente no Brasil, é feito na China. Demora 400 anos para se degradar. É derivada de um recurso não renovável.

No pós consumo, principalmente nas lavagens, libera microplásticos na rede de esgoto, que acabam chegando nos oceanos e rios, prejudicando a vida que neles habita.

O poliéster tem a desvantagem de ser uma fibra quente, com pouca respirabilidade, áspera para peles sensíveis e que colabora com a proliferação de bactérias que causam mau cheiro permanente.


Poliéster reciclado


Origem: Garrafas pet pós consumo.


Prós: Além de reaproveitar garrafas que iriam pro lixo, usa 70% menos da energia que o poliéster convencional. Usa menos energia e água que a produção de algodão.


Contras: Demora 400 anos para se degradar, é feito na China.

No pós consumo, principalmente nas lavagens, libera microplásticos na rede de esgoto, que acabam chegando nos oceanos e rios, prejudicando a vida que neles habita.