Você conhece a história do Brasil?

Um ato benovolente da Princesa Isabel ou uma estratégia política e econômica?

Esse pode ser um tema diferente daqueles que costumamos abordar nos nossos artigos, mas a importância do assunto é tamanha que acreditamos que deve ser falada, afinal, acreditamos que conhecimento pode ser o primeiro passo para a mudança.


O dia 13 de maio, ontem, é conhecido por nós como o dia da abolição da escravidão. Aprendemos no colégio que foi nessa data do ano de 1888 que a Princesa Isabel assinou a lei áurea e libertou as pessoas escravizadas no Brasil. Mas essa explicação é um pouco rasa demais. Após a assinatura da Lei Áurea, os escravos foram, de fato, libertados?


Anos antes, em 1850, a lei Eusébio de Queirós já havia sido instituída e proibia o tráfico de escravos no Brasil. Por conta dessa proibição, a escravidão começou a enfraquecer e, paralelamente, fortalecia o movimento abolicionista. Então, pode-se dizer que no dia 13 de maio de 1888 houve a proclamação da liberdade, porém não como deveria ser, pois o fim da escravidão não veio acompanhado de políticas de integração das pessoas negras na sociedade de classes. Parte considerável dos senhores de engenho simplesmente se recusavam a pagar pelo trabalho feito pelos negros, bem como era negado acesso à educação, moradia e qualquer necessidade básica. Tal exclusão social gerou uma migração de ex-escravos para as grandes cidades, em busca de melhores condições. Porém essa movimentação não agradou os brancos, que então criaram leis, como a Lei de Vadiagem e Vagabundagem para reprimir e continuar punindo a população negra. Ou seja, a escravidão era proibida legalmente, apenas no papel, enquanto, na vida real, ela ainda se perpeturária por décadas em nosso país.


Mas e a Princesa Isabel? A Lei Áurea foi encaminhada para a Princesa Isabel, após já ter sido aprovada pelo Senado, ou seja, a libertação dos escravos já estava prevista, antes mesmo desse ato bondoso da realeza. O Brasil era o único pais da América Latina que ainda permitia a escravidão, e foi só com a pressão por parte da Inglaterra, maior potência na época, que passou a acatar a ideia do fim da escravidão.


Muito antes da Lei Áurea, a história do nosso país já era marcada por diversas práticas de resistência. Diferentes registros históricos mostram que os negros não reagiram ao processo abolicionista de forma passiva e viveram constantes embates e lutas contra a escravidão. A abolição não é fruto de qualquer tipo de ação bondosa do Império, mas sim da participação concreta da população negra.


Na luta contra a escravidão, mais do que a Princiesa Isabel, existem personalidades que devem ter lugar de destaque:


Adelina era uma charuteira que trabalhava como "espiã" ao passar a enviar para a associação do Clube dos Mortos - associação que escondia os escravos e impulsionava sua fuga - informações que conseguia sobre ações policiais e estratégias dos escravistas.


Maria Firmina dos Reis foi a primeira escritora abolicionista. Ela publicava contos, poemas e diversos artigos sobre a escravidão em veículos de denúncias no Maranhão. Ela ainda foi responsável por abrir uma escola para crianças pobres, na qual ela mesma dava aulas.


Luís Gama, um advogado autodidata que criou uma nova maneira de ativismo abolicionista, entrando com ações na Justiça para libertar escravos. Estima-se que sua ajuda tenha sido responsável por libertar cerca de 500 pessoas.


Esses são apenas alguns dos nomes que merecem destaque.


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Escrito por,

Equipe Impacto


Fontes

https://buzzfeed.com.br/post/13-de-maio-o-dia-da-falsa-abolicao

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