Você precisa de um detox digital?

Era para ser um artigo, mas acabou virando um desabafo. Talvez você se identifique.

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Esse texto deveria começar com estatísticas e dados apontados por especialistas da área mostrando como usamos o celular em excesso. Os dados são preocupantes, uma parcela considerável de nós usa muito mais do que o indicado. Mas, acho que isso não é novidade para ninguém, né? Afinal, entramos num ritmo de vida que pode parecer impossível diminuir o uso desse aparelho, colocar no silencioso, usar exatamente em determinados momentos... Talvez não seja exagero dizer que, dependendo da sua área de atuação, não seja mais possível levar o dia a dia sem um celular em mãos.


Eu sou a Pati, uma das sócias da Impacto e me identifico como o clássico caso de quem não larga o celular. É mais fácil eu esquecer a carteira do que o celular. Ah, esse eu nunca esqueço. Mas, há tempos, venho questionando o meu uso intenso (para não dizer exagerado, rs) do meu smartphone. Não é raro eu me ver em situações que em era só para eu responder uma mensagem e, de repente, já se passaram 30 minutos em que eu estou olhando para aquela tela.


Já baixei aplicativos que bloqueiam a tela depois de tantas horas de uso, tentei tirar absolutamente todas as notificações, as confirmações de mensagens lidas, o último horário visto. Já apaguei o instagram durante uma semana e deixei o celular no silencioso. Uso a função não perturbar. Tento, ao máximo, não olhar nenhuma rede social na sequencia em que eu desligo o despertador pela manhã. Posso dizer que falhei miseravelmente em quase todas essas tentativas.


Existem mil e uma comprovações de que todas as telas, movimentos que fazemos para atualizar cada aplicativo são tão estimulantes para o nosso cérebro que se torna viciante. Mas a gente (eu no caso) nunca acha que de fato vamos ter dificuldades em largar o celular, né? Pois bem, chegou um momento em que eu tive que assumir para mim mesma que tava cada dia mais difícil ficar longe dele.


Até que um dia, de repente, eu deixei ele cair de uma mesa. Uma queda aparentemente insignificante, a capinha com certeza amorteceria o impacto e assunto acabaria por aqui. Abaixei e peguei. Olhei a tela e tinha um pontinho azul, nada demais. Fui mandar uma mensagem e percebi que a parte de cima da tela não estava funcionando." Droga, justo onde está o ícone do whatsapp e do banco. Tudo bem, vou desligar e ligar e problema resolvido". Desliguei e liguei. Nada resolvido. Metade da tela preta. Minutos depois, a tela inteira estava preta. Mas seguia tocando, recebendo mensagem... Ah, que agônia.


Abri o computador e já comecei a pesquisar "delivery de conserto de celular", "conserto em 24 horas", e por aí vai. O máximo que eu consegui foi um conserto que retirava em casa, dentro de uma hora e ficaria pronto em dois dias úteis. Era uma quinta feira, então, só voltaria segunda.


De repetente eu me vi pensando e ansiosa em como tocaria esses dias. Como eu vou acordar sem despertador? Por onde eu vou fazer as aulas de yoga que faço através de um aplicativo? E se eu precisar de um Uber? Como vou trabalhar? Como vão falar comigo? E se algo urgente acontecer? Como peço comida? Como acesso o banco? Como vou ouvir música durante o passeio com meu cachorro? Tive um breve, porém intenso, momento de ansiedade. Eu fiquei exatamente igual a essa mulher da imagem do início do texto: o computador aberto e o celular do lado e as mãos na cabeça, só com aquele pensamento "Não acredito nisso!". E então me vi pensando " o que não tem remédio, remediado está". Afinal, por que isso deveria ser um grande problema?


Bom, retiraram o celular e eu avisei como dava para as pessoas próximas de mim que ficaria sem por uns dias. Dois dias úteis se tornaram sete. Mas, já no dia seguinte eu vi que acordava sozinha, sem despertador.

Percebi que lembrava de quase toda a sequencia de posturas do yoga e que ouvir música durante o passeio não era algo necessário. Eu sei, são todas coisas óbvias e até bobas dependendo do ponto de vista, mas foram hábitos criados e, nada mais difícil do que se desfazer de hábitos.


No fim, me dei conta como meu dia rendia mais sem ter meu celular 24 horas comigo. Que uma mensagem podia esperar um par de horas pra ser respondida e, o melhor, que alívio para o cérebro não receber um turbilhão de estímulos do instagram logo cedo. Como podia ser bom um passeio sem conferir o celular constantantemente. Tiveram suas coisas ruins também, afinal, o celular faz parte de muitas rotinas. Mas, no fim das contas, esse meu detox digital obrigado me fez repensar a maneira em como uso ele e também a quantidade de horas.


Tenho levado mais a sério a função "não perturbar" e realmente deixo o celular de lado, as vezes até deixo ele dentro da gaveta. Durante o horário de trabalho, estipulo quais horários vou olhar e, se não dá pra ficar longe, já deixo um aviso para que me liguem se necessário, assim não preciso conferir se tenho mensagens novas toda hora - não estou dizendo que eu tenho êxito em todas essas tentativas, mas a cada dia, tenho um pouco mais de sucesso.


A nossa saúde mental é importante, tente olhar para seu dia a dia e ver como o uso, em excesso, do celular pode te atrapalhar. Como tudo na vida, a chave é o equilíbrio.


Escrito por,

Patricia Stroka,

Equipe Impacto


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